Descobri hoje um serviço português e gratuito de alojamento de weblogs: o WebLogPT.com. Para não estar já a dissuadir a malta, começo por dizer que o resumo deste post é: recomendo. É uma potencial excelente ferramenta. E agora passo à minha dissecação mais ou menos técnica, versando os pros and cons que encontrei na minha experiência neste serviço (criei um espacinho, por enquanto de testes, e que pode vir a ser espaço para alguma ideia independente).
Mais uma vez, para não assustar logo, vou começar pelos "pros".
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Prós
Upload de ficheiros
O WebLogPT.com disponibiliza 50 MB para alojamento de imagens (JPEG, GIF, BMP e PNG), ficheiros flash (SWF ou FLV), documentos PDF e sons MIDI e WAV. Os ficheiros que o utilizador possui no servidor surgem listados de forma a serem facilmente geridos (p.ex., apagados) e com um útil botão para publicar uma entrada nova com base no ficheiro (imagens são incorporadas no corpo do post, documentos são linkados, e, não experimentei, mas deduzo que os ficheiros flash sejam devidamente embebidos).
Editor WYSIWYG
Nem toda a gente que sabe/quer publicar conteúdos escritos na Internet sabe formatar os mesmos em hipertexto; o editor WYSIWYG é uma boa maneira de colmatar isto, bem como, se bem implementado, garantir que os posts dos utilizadores geram código (X)HTML válido e coerente.
Visibilidade de posts
Um bocado à semelhança do que bem estou habituado no Livejournal, o WebLogPT.com permite definir o nível de visibilidade para cada post: privado (visível apenas ao utilizador), público, apenas amigos (outros utilizadores do serviço a que tenha sido dado esse "estatuto") ou utilizadores registados (sendo que este nível não existe no Livejournal).
Mailing List
Ao colocar um post novo, é dada a opção, através de uma checkbox, de notificar os assinantes da mailing list do weblog. Apesar de ser um pouco redundante em coexistência com a tecnologia de feeds RSS (também suportada), é algo útil, dado que o utilizador comum, no geral, ainda não descobriu as potencialidades do uso de um leitor de feeds.
Permalinks
Bonitos (nada de "/?id=42" ou coisas do género) e sem a redundante inclusão da data. http://www.weblogpt.com/utilizador/42 e pronto; ideal.
Contras
E pronto, começa agora a parte dos "contras". Não são propriamente "contras" que o tornem a utilização do serviço numa experiência má, mas são falhas tecnicamente graves, principalmente do aspecto formal (design/interface de utilização), que podem empobrecer a experiência de utilização do serviço e dos weblogs por ele servidos. Pela saúde dos standards, acessibilidade e compatibilidade, cá vão eles…
Falhas no design das páginas do serviço
O título mais "longo" desta secção tem como propósito estabelecer uma clara e necessária separação entre as falhas no design das páginas referentes ao serviço propriamente dito — portanto, a interface gráfica do utilizador do serviço, detentor e/ou gestor de um weblog no mesmo.
Começo pelo container de cor mais clara, e de dimensão fixa, no qual todo a acção se "desenrola". A sua largura, medidinha com o ColorZilla, é de aproximadamente 615 pixels; penso que é exageradamente reduzida: a visualização correcta a 640×480 é um objectivo um pouco exagerado em acessibilidade/compatibilidade, e, mesmo assim, a ser um objectivo válido e/ou necessário, não é através de uma tabela de dimensão fixa que ele é atingido de forma mais correcta e briosa—mas sim, p.ex., com um design "líquido". A manter a estrutura de tabela fixa, iria para cerca dos 750 pixels—direccionando, portanto, a um mínimo de 800×600, que, apesar de ser uma resolução de monitor cada vez menos utilizada/necessária, é o tamanho a que as pessoas inteligentes com uma resolução superior a 1024×768 utilizam a janela do browser, por forma a optimizar a ocupação da área de trabalho do écran.
A excessiva "magreza" do container provoca ainda que o editor WYSIWYG fique inesteticamente transbordado para fora daquele — se calhar transbordou por causa da baleia… ;) (Um aparte que não tem a ver com o container, mas com o "transbordar": a filosofia de "dimensão fixa" largamente utilizada provoca também que o botão de login, na página principal, do lado direito, aparente, visualmente, estar fora da célula que envolve os campos de utilizador/password.)
Ainda sobre o container—que, já me esquecia de referir, deve aparecer minúsculo a quem utilize uma resolução de 1280×1024 ou superior—este aparece descentrado; a sua posição parece estar definida de forma fixa a uns 107 pixels da margem esquerda da janela, pelo que surge muito à esquerda a 1024×768 e muito à direita a 800×600.
Algo a que o navegador da Internet se habituou — e que é especialmente adoptado na comunidade de weblogs — é que a imagem de cabeçalho seja um link para a página principal, o que não acontece com o quadro de 594×164 pixels do rabo da baleia, que se torna duplamente enganadora na medida em que os 4 gráficos do lado direito dão a impressão visual de serem botões para alguma coisa. De notar que o facto de o cabeçalho não ser um link para a página principal faz com que, do painel de administração, a única maneira de aceder a esta é alterar o URI na barra do browser ou fazer logout.
Outro pormenor que me desagradou na interface foi o vocabulário. É, nalguns pontos, técnico demais / desadequado ao uso habitual de um weblog, e também díspare—em pontos diferentes do painel de administração, são utilizados termos diferentes para a mesma função, o que pode gerar confusão ao utilizador menos afoito. Exemplos:
- 'Adicionar conteúdos' e 'Ver conteúdos': o primeiro entra na tal categoria dos termos demasiadamente técnicos (preferiria 'Novo post', 'Nova entrada', ou então o 'Publicar' que é utilizado no referido botão ao lado de cada ficheiro—os tais termos diferentes para funções iguais); quanto ao segundo, o seu nome, conjugado com o facto de ser o primeiro link do menu, induz no erro de que é um link directo para visualizar o próprio blog—talvez 'Gerir conteúdos/posts/entradas' seria mais descritivo da verdadeira tarefa
- Na mesma página, a mesma tarefa é apelidada umas vezes de 'enviar ficheiros' e outras de 'fazer o upload'. Para mim é claro o estatuto de sinónimos, para quem gere o serviço também o será, mas nao o é para o utilizador comum.
Já agora (e nesta acabei de tropeçar por acaso): não fica nada bem dar pontapés no português para indicar quais são as extenções de ficheiros permitidas, ou mesmo uma label em inglês no meio de um formulário totalmente em português… :/
Upload de ficheiros
Nem tudo podem ser rosas; a eliminação de ficheiros — seja ela individual, seleccionada ou total — não é sujeita a qualquer tipo de confirmação. Se calhar dava jeito um diálogozinho modal de confirmação, para evitar desgraças aos clicadores mais nervosos.
Os templates incluídos e os standards
No global, no que toca a standards, existe uma qualidade de colaboração mista. O código gerado pelo serviço para os posts é principalmente válido — p.ex., utiliza span's com style em vez dos obsoletos b, i, font (apesar de que, semanticamente, para os dois primeiros deveriam ser usadas as tags strong e em, respectivamente); da parte do código dos posts, a única falha que notei foi nas mudanças de linha (<br> em vez de <br />). Por outro lado, os templates incluídos, assim à primeira vista, caem nos seguintes buracos:
- design com tabelas—já disse tudo sobre isto; lado direito deste weblog, procurar por 'tabelas';
- ausência de indicação do DTD—ou seja, nem sequer se pode validar o código (sem efectuar uma dedução, ou assumir algo por defeito) porque não é indicado qual o tipo de hipertexto utilizado (HTML 4.0, XHTML 1.0, 1.1, Transitional, Strict, …)
- tags indiscriminadamente em maiúsculas e minúsculas — quando o standard, que no XHTML é regra, é utilizar apenas minúsculas;
- tags obsoletas — aquelas que, nos posts, são inteligentemente evitadas.
E pronto, dou por terminada a minha análise a este, repito, óptimo serviço PORTUGUÊS de weblogs
(Parte II)













6 Comments
boa análise.
alguns dos erros/problemas que reparaste no ecrã principal reparei lg assim que abri a pagina. fui clicar nos "botoes" na imagem de topo (fui enganado :|) e pensei "errrr.. pq nao centrar isto?"
enfim.. já agora, podes dar aí o link para a tua área de teste? para ver um exemplo dum blog? ou é mesmo só para testes e p enqt é privada? :P
Realmente a ideia era excelente, o design da primeira página até está bastante bom (menos os "botoes", lol).
Agora perderam-se completamente foi nos templates, parte que está cem anos luz atrás do wordpress, por exemplo. Incluirem os styles na própria página, tudo ao molho e fé em deus ….
Mas a ideia era gira …
"Omega" não significaria que estaria a acabar, mas sim que tinha atingido um estado de maturidade gratificante, como este "jcraveiro.com".
O Peopleware ainda tem muito que andar… mas garanto que chegarei a "omega"… os exemplos são do melhor!!;-)
Já agora e aproveitando o embalo de estar a escrever no blog de quem realmente percebe disto, 3 dicas: como posso passar as datas no meu blog para português?
Como posso no Kubrick visualizar os links quando se abre os comments?
Onde encontro um plug-in que instale um dicionário de português no wordPress?
Desde já o meu obrigado.
A questão é: será mesmo "português"? Ou um clone?
Um olhar mais demorado devolve isto:
http://www.mattian.co.uk/home.php
Hum, obrigado. :) Acredita que desconfiei da utilização de uma ferramenta pré-feita, com a respectiva adaptação — a única justiifcação para a documentação dos templates ser exclusivamente em inglês, bem como alguns campos 'salteados' em formulários.
Mesmo assim: se os criadores da versão portuguesa implementaram o mesmo motor, é porque tiveram acesso ao código-fonte, e tal, em princípio, só acontece com permissão do original (ou pelo lançamento ao domínio-público / sob a GPL, ou pela autorização de utilização pura e simples). Não é grave o facto de não utilizarem um motor já criado, desde que tal não constitua abuso; mas podiam ter inovado no design: os defeitos do original mantiveram-se (os pseudo-botões do cabeçalho, pequenas falhas da ordem de 1 ou 2 pixels no alinhamento de imagens, as falhas semânticas de webdesign — uso de tabelas), e ainda conseguiram arranjar mais (o botão do formulário de login, no original, não sai para fora da forma de fundo; na versão portuguesa fá-lo dada a introdução do campo "Lembre-se de mim").